Thales Guaracy
Jornalista, com passagens pelas redações de Veja, Exame, VIP, Playboy, Estilo de Vida, e O Estado de S. Paulo. Dirigiu as revistas Forbes Brasil, Discovery e Gula e foi vencedor do prêmio Esso de jornalismo político. Autor da biografia do comandante Rolim: O Sonho Brasileiro e dos livros: Filhos da Terra; O Homem Que Falava com Deus; A Quinta Estação; Na Terra do Engano e Liberdade para Todos. (Fotos: Christiana Carvalho)

Ouça a entrevista em podcast:*
(ou clique aqui para baixar o arquivo em mp3)
(aprox. 6-8 MB)
 
Confira a primeira parte da entrevista.
 
* Para ouvir é necessário ter instalado o iTunes ou versão atualizada do Windows Media Player (ou outro programa que execute mp3).
 
Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Thales Guaracy citados no programa:
Qual livro você está lendo agora?
Crack-up, uma coletânea de escritos e artigos do Scott Fitzgerald e de outros que escreveram sobre ele.

Dizem que profundidade dos personagens e finais surpreendentes são marcas registradas de sua literatura, combinada ao refinamento intelectual, o que me faz pensar em Dostoievski, Balzac, Machado... E você pensa logo em quem?
Penso em Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa.

Clássicos que você não dispensa
O Fédon de Platão. É o evangelho dos agnósticos e dos intelectuais.

O escritor Luiz Ruffato definiu um bom livro como aquele que, após fechar a última página, você já não é a mesma pessoa, algo mudou... Você lembra de algum?
O livro que mais influenciou a humanidade e mudou a vida não só minha como de muita gente é a Bíblia. Outro que teve muita influência sobre minha maneira de ver o mundo e a mim mesmo foi Sidarta, do Hermann Hesse. Eu citaria ainda O Capital, de Karl Marx, que efetivamente mudou o mundo. Agora anda menosprezado depois do fim do bloco comunista, mas as idéias de Marx sobre a exploração do trabalho e o futuro do mundo capitalista me parecem ainda válidas.

Vale a pena ler de novo
Os livros da infância, como Miguel Strogoff, de Júlio Verne.

Obra que deixou marcas
Eu citaria alguns clássicos do jornalismo em forma de livro, uma vertente em que eu também gosto de atuar: Hiroshima, do John Hersey, A Sangue Frio, de Truman Capote, e Os Dez dias que Abalaram o Mundo, do John Reed. E os grandes repórteres do passado que foram Homero, com a Ilíada, e Plutarco, com Vidas dos Homens Ilustres.

Literatura universal
Eu citaria uma obra brasileira que merece esse lugar no mundo, que é Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis. Mas o principal é D. Quixote, de Cervantes, o maior romance de todos os tempos. E toda a obra de Shakespeare.

Você escreveu a biografia do comandante Rolim. Biografias viraram uma febre! Cite duas ou três que você goste.
Olga, de Fernando Moraes, ainda é a melhor biografia já escrita no Brasil. Eu gosto muito da biografia do Garibaldi escrita pelo Alexandre Dumas, o mesmo romancista que fez os Três Mosqueteiros e que está incompleta, porque ambos eram contemporâneos e o Garibaldi viveu muito mais do que se esperava, já que estava sempre arriscando o pescoço.

Escritores talentosos da nova geração brasileira
Todos, e acho que vale a pena experimentar todos ao menos uma vez, porque quem escreve romance no Brasil já pertence a uma minoria, são vencedores.

Na longa tradição de autores que levam algo da própria vida para a ficção, quem você destacaria?
O Jack London, que foi garimpeiro no Klondike e parece um personagem da sua própria obra. O Hemingway, que era obcecado por si mesmo. O Jack Kerouac, louquinho da silva. Há muitos.

Existem contadores de estórias e escritores de sagas, vamos lembrar agora uma saga envolvente...
O Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo, uma obra que surge na literatura a cada mil anos.

Nota de rodapé
Eu ficaria com uma frase do José Saramago, quando lhe perguntaram que conselho daria a um jovem escritor: “Não tenha pressa, mas não perca tempo”. A resposta me parece servir para tudo.
 
Mais sobre Thales Guaracy na internet:
www.thalesguaracy.com.br


 
       
©2007-2008 Mona Dorf / Rádio Eldorado
Todos os direitos reservados