Mamede Mustafa
Filho de imigrantes libaneses, Mamede é Bacharel em Letras - Português e Árabe pela USP onde fez doutorado. Já o pós-doutorado em Letras foi na Universidade do Cairo. Professor do departamento de idiomas orientais da USP. Entre suas traduções, destaca-se O livro das Mil e Uma Noites, com o qual recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Tradução, o da Associação Paulista dos Críticos de Arte, e o Prêmio Paulo Rónai de Tradução.

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Confira a primeira parte da entrevista.
 
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Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Mamede Mustafa citados no programa:
Um livro essencial para entender o oriente.
“Falsafa, a filosofia entre os árabes”, de Miguel Attie Filho
“A lógica dos orientais”, de Christian Jambet
“Uma história dos povos árabes”, de Albert Hourani

Autor brasileiro cujo estilo ou densidade mais se assemelha ao mundo árabe.
Alberto Mussa e Milton Hatoum

Nosso programa busca incentivar à leitura. Para quem está começando a descobrir escritores árabes quais livros você indica?
Existe pouca coisa traduzida. “Porta do Sol”, de Elias Khoury; “Tempo de Migrar para o Norte”, de Tayyeb Saleh; “Miramar”, de Naguib Mahfouz; “Noites das mil e uma noites”, de Naguib Mahfouz; “Kalila e Dimna, de Ibn Almuqaffa, “Morrer em Bagdá”, Sinan Antoon; “Eu vi Ramallah”, de Murid Barghouti; “Samarcanda”, de Amin Maalouf; “Entre dois mundos”, de Amin Maalouf; “O astrolábio do mar”, de Chems Nadir

Quais autores e ou livros conversam com a sua alma, são seus parentes literários?
Franz Kafka, Campos de Carvalho, Raduan Nassar

Livros que marcaram sua infância e adolescência
“Viagens de Gulliver”, “Robinson Crusoé”, “As Mil e Uma Noites”, Os três mosqueteiros”, “Chamado da selva”, “Ivanhoé” e “Capitães da Areia”.

Cesta básica que todo estudante de letras deveria ler
“O lobo da estepe”, “Memórias póstumas de Brás Cubas”, “Dom Casmurro”, “A consciência de Zeno”, “Angústia”, “As ilusões perdidas”, “O vermelho e o negro”, “Irmãos Karamazov” e todo Drummond.

O que você está lendo agora?
Pesquisadores são obrigados a acumular leituras, o que diminui um pouco o prazer. Mas estou lendo dois tratados árabes medievais sobre política, "Aconselhamento de reis", do século XIII, de anônimo, e "O caminho trilhado na política dos reis", de Chayzari, e "Soberania", de Raquel Kritsch. Obras excelentes, mas a trabalho. Para me distrair, estou lendo a biografia de Stalin, por Montefiore. Um livro curioso, bem fornido e cheio de pesquisa, mas ao mesmo tempo extremamente débil.

O que pretende ler?
"O Tigre e o Raposo", de Sahl Ibn Harun. Trata-se de mais um fabulário político árabe, do século IX.

Um clássico
As Mil e Uma Noites, claro!

Romance do coração
“Prezado Sr. Kuwabata”, do romancista libanês Rashid Daif. Uma obra-prima.

Livro de cabeceira
Uma enorme coletânea de crônicas árabes do século X, cujo título é traduzível como "Conversações de Mesa".

Nota de rodapé
É preciso reeditar a tradução que José Khoury fez dos Prolegômenos, obra-prima do historiador norte-africano Ibn Khaldun. a tradução foi publicada na década de 50, saudada como um dos maiores eventos culturais da época e depois nunca mais se reeditou! Inexplicável e inaceitável.
 


 
       
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