Lizette Lagnado
Doutora em Filosofia pela USP. Foi curadora da 27a Bienal de São Paulo, que fechou suas portas em dezembro último. Iniciou sua carreira editando e produzindo a revista “Arte em São Paulo”, fundada pelo artista plástico Luiz Paulo Baravelli. Foi repórter de artes visuais para o caderno “Ilustrada” da Folha de São Paulo. Tem dois livros publicados: “Conversações com Iberê Camargo” (esgotado) e “Leonilson: são tantas as verdades” (praticamente esgotado também, difícil de ser encontrado). Sobre estes dois artistas, fez exposições monográficas, uma delas na Fiesp (SP) e a outra na II Bienal do Mercosul. Fundou o Projeto Leonilson (1993) para a catalogação das obras do artista, morto de aids. Fez parte do grande projeto de mapeamento de jovens artistas brasileiros em 1996, que resultou na mostra “Antarctica Artes com a Folha”, e que revelou vários talentos em atividade hoje no circuito tanto nacional como internacional. Coordenou o site de Hélio Oiticica com os arquivos do artista e, desde 2001, é co-editora, com Alcino Leite Neto e Esther Hamburger, da revista eletrônica Trópico, hospedada no UOL. Tem ensaios publicados nas principais revistas internacionais (Parachute, Art Nexus, Art Press entre outras) e curou exposições para a feira Arco de Madri e para o Musée des Beaux Arts de Nantes (2005).

Ouça a entrevista em podcast:*
(ou clique aqui para baixar o arquivo em mp3)
(aprox. 6-8 MB)
 
Confira a primeira parte da entrevista.
 
* Para ouvir é necessário ter instalado o iTunes ou versão atualizada do Windows Media Player (ou outro programa que execute mp3).
 
Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Lizette Lagnado citados no programa:
Livro de cabeceira
"Em busca do tempo perdido" de Marcel Proust. Leio-o bem devagar, quase com medo de terminar.

Um clássico
Homero. Sem dúvida.

Uma descoberta
Sebald. Acabo de ler "Os emigrantes". Este autor fala de memória, em geral de judeus alemães e se inscreve numa tradição muito familiar ao Benjamin e Proust.

Romance do coração
"O lírio no vale" de Balzac e "As afinidades eletivas" de Goethe.

Livro inesquecível
"Hiroshima, meu amor", escrito por Marguerite Duras, com roteiro de Robbe-Grillet que deu o filme de Resnais.

Poetas indispensáveis
Francis Ponge, para aprender a ser seco com a linguagem. Beckett é um poeta, para mim. Já Baudelaire é um crítico. Fernando Pessoa é indispensável.

Um Imortal
Balzac.

Literatura brasileira
Guimarães Rosa, sem sombra de dúvida. Cada linha é uma preciosidade.

Título que você sempre quis ler e nunca arrumou tempo
"O homem sem qualidade", de Robert Musil, está na minha lista, logo após acabar o Proust. Não dá para ler dois monumentos ao mesmo tempo.

Para que texto você recorre nas horas difíceis
Nietzsche, qualquer texto, mas principalmente as "Considerações extemporâneas".

Livro que o seu melhor amigo está lendo...
Cristina Freire, que foi co-curadora da 27a Bienal, companheira total de trabalho, está lendo de dia "Impossible histories. Historical avant-gardes and post-avant-gardes in Yugoslavia 1918-1991", editado por Dubravka Djuric e Misko Suvakovic, e mistura com momentos de "Manual de Zoologia Fantástica" de J. L. Borges. À noite, me disse que tem lido "O Evangelho segundo São Lucas", e dorme mais tranqüila.

Cesta básica
Rousseau "os devaneios" ou "as confissões", Kafka, Deleuze. De vez em quando, Freud.

Nota de Rodapé (uma linha, um provérbio, um verso)
"Todo agir requer esquecimento: assim como a vida de tudo o que é orgânico requer não somente luz, mas também escuro." Nietzsche, Considerações extemporâneas.
 


 
       
©2007-2008 Mona Dorf / Rádio Eldorado
Todos os direitos reservados