Frederico Barbosa
Poeta e diretor do Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, A Casa das Rosas; curador da primeira biblioteca temática de poesia do país, a Alceu Amoroso Lima. Recebeu prêmios Jabuti com os livros: Nada feito nada e Brasibraseiro; além de ser o organizador das antologias: Cinco séculos de poesia e Na virada do século - poesia de invenção do Brasil.

Ouça a entrevista em podcast:*
(ou clique aqui para baixar o arquivo em mp3)
(aprox. 6-8 MB)
 
Confira a primeira parte da entrevista.
 
* Para ouvir é necessário ter instalado o iTunes ou versão atualizada do Windows Media Player (ou outro programa que execute mp3).
 
Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Frederico Barbosa citados no programa:
Conte para nós... Quais autores dialogam com a sua poesia?
O João Cabral de Melo Neto foi quem motivou o meu interesse pela poesia, principalmente pelo rigor na construção de seu trabalho e também pela insistência desta idéia de que não existe talento e inspiração, conceitos românticos absolutamente abomináveis e que existe sim, muito trabalho e suor na poesia. Qualquer ouvinte hoje, aqui, pode ser um grande poeta. Há também a poesia concreta, a do Haroldo de Campos, Augusto de Campos e do Décio Pignatari que eu gosto muito.

Livros marcantes na sua vida
São vários: A Ilíada, de Homero; Hamlet, de Shakspeare; Os Irmãos Karamozov, de Dostoievski; O Estrangeiro, de Albert Camus; Esperando Godot, de Samuel Beckett; Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade; Museu de Tudo, de João Cabral de Melo Neto; Galáxias, de Haroldo de Campos; Viva Vaia, de Augusto de Campos; Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago.

Livro que você está lendo agora
Café Expresso Blackbird, de Greta Benitez.

O que você recomenda para quem quer começar a ler poesia?
Uma antologia minha: Cinco Séculos de Poesia.

Autores fundamentais para a formação de um poeta
Todos, de Homero a Paulo Leminski. Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Haroldo de Campos, Augusto de Campos. O T.S. Eliot dizia: “Se você quer ser um grande você tem que conhecer a tradição para se inserir nela e modificá-la. Não é para ser igual à tradição”.

Novos talentos da literatura brasileira em poesia
Todos os pós-concretos, ou seja, aqueles nos quais se percebe que existiu a poesia concreta. Boa parte deles eu e o Cláudio Daniel reunimos na antologia "Na Virada do Século". Eu conheci uma menina, chamada Micheliny Verunschk que escrevia em Arco Verde, Pernambuco. Ela escrevia em um blog; publiquei um livro dela e ela foi uma das finalistas do prêmio Portugal Telecom. A Greta Benitez e o Delmo Montenegro são fantásticos. Nós temos uma diversidade muito grande.

Escritores estrangeiros fundamentais
De Homero a José Saramago, tudo o que um antropófago comeria.

Cesta básica
Gregório de Matos, João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos.

Nota de rodapé ( um verso, uma prosa )
O Artista Inconfessável, de João Cabral de Melo Neto:

Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.
 
Mais sobre Frederico Barbosa na internet:
www.casadasrosas.sp.gov.br


 
       
©2007-2008 Mona Dorf / Rádio Eldorado
Todos os direitos reservados