Felipe Lindoso
Formado em Antropologia Social pela Universidade Mayor de San Marcos, em Lima, Peru, com mestrado em Antropologia Social pela Federal do Rio de Janeiro. Diretor de Relações Institucionais da Câmara Brasileira do Livro, consultor do Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe da UNESCO, do Instituto Itaú Cultural e de diversos programas de instalação de bibliotecas. Publicou os livros: O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura - política para o livro. Atualmente pesquisa políticas públicas de cultura e seu impacto social.

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Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Felipe Lindoso citados no programa:
Definição de um bom livro
O que responde ao que se busca nele: informação, diversão, reflexão ou prazer.

O que você está lendo agora?
Acabei de ler “Ciencias Morales”, de Martín Kohan e “Lo Real” de Belén Gopegui, comprados recentemente em Buenos Aires onde estive em um evento do Itaú Cultural. Estou lendo “Um caso estranho”, um policial inglês do Peter Robinson e “Padre Guilherme Pompeu de Toledo”, do Jorge Caldeira, uma mescla muito interessante de história e ferramentas antropológicas.

O que pretende ler?
Na minha programação mais imediata estão o livro do Cristovão Tezza, “O Filho eterno”, as novas edições do Mário de Andrade, particularmente o “Macunaíma” e “Amar Verbo Intransitivo” e o “Ensaio sobre a Feiúra”, do Umberto Eco.

Livro que você gostaria de ter editado
Eu gostaria de editar uma coleção como a Plêiade francesa. Não temos nada igual aqui, com o aparato crítico, o cuidado com as referências e a restauração de textos. É uma vergonha que não tenhamos nem mesmo uma edição crítica completa do nosso maior escritor, Machado de Assis.

Cesta básica para quem trabalha com política cultural de leitura
Max Weber, “Economia e Sociedade”, e acompanhar tudo o que se publica – inclusive e particularmente as estatísticas – sobre a execução e o resultado de políticas públicas, como as da Educação e Saúde. São modelos a partir dos quais se pode pensar uma política para a cultura em nosso país.

Biblioteca básica
É a história de vida que define as bibliotecas possíveis. O mundo do livro reflete o mundo real –existe livro de todo tipo, uma infinidade de livros – e o “básico” é sempre a procura do que resolve a tensão entre seu projeto de vida – sempre mutável – e as demandas imediatas do saber e do prazer.

Cesta básica da sua biblioteca pessoal
Minhas cestas básicas de autores, melhor dizendo, pois variaram segundo as minhas “estâncias” de vida: - Marx, Engel, Lênin, Caio Prado Jr., Nelson Werneck Sodré na época mais intensa de militância política; - Karl Polaniy, Claude Meillassoux, Moacir Palmeira, Lygia Sigaud, E. P. Thompson, Rodrigo Montoya, quando me dedicava à pesquisa antropológica; - Balzac, sempre, e muita literatura policial.

Ficção brasileira essencial
Monteiro Lobato, Machado de Assis, José de Alencar (As Minas de Prata são um barato...).E dos modernos, Mário e Oswald de Andrade, Jorge Amado, Márcio Souza, Moacir Scliar, Luis Ruffato e Maria José Silveira.

Literatura estrangeira predileta
A literatura contemporânea americana, romances policiais em geral.

Livro que deixou marcas
“La Maison du Chat-qui-pelote”, do Balzac. É o primeiro romance da Comédia Humana e acho que sintetiza genialmente quase todos os temas da literatura balzaquiana.

Obra ou autor injustiçado
Fernão Mendes Pinto. As “Peregrinações” – cuja primeira edição brasileira tive o orgulho de coordenar, há dois anos, pela Nova Fronteira – é muito mais importante para a consolidação do português como língua literária que o Camões. Mas sempre foi subestimado pela mentalidade colonialista portuguesa, que jamais aceitou ver o processo das “conquistas” visto por dentro, com seus podres mais além das glórias.

Escritores latino-americanos
Quero destacar um escritor peruano que conseguiu uma façanha notável: sintetizar não apenas a cultura espanhola e a andina, como também fazer essa síntese na sintaxe do castelhano que se fala no Perú: José Maria Arguedas. Seu “Yawar Fiesta” é coisa de gênio. Reli a edição comemorativa do “Cien Años de Soledad” e acho que este romance e a “Crónica de uma Muerte anunciada” são os dois grandes livros do García Márquez. Mas quando se fala de literatura latino-americana as pessoas se esquecem do Haiti, por exemplo, com René Depestre, do qual editamos “Pau de Sebo” na antiga Marco Zero. Mas é bom lembrar que o único país latino-americano que tem um “sistema literário” digno desse nome, como diz o Antonio Cândido, é o Brasil. A Argentina chega perto, mas a nossa literatura é a grande literatura latino-americana, apesar de nenhum de nossos escritores jamais ter sido agraciado com o Nobel.

Livro ao qual você recorre na hora do apuro
Dicionários e enciclopédias, inclusive as virtuais.

Nota de rodapé
“Sou homem, e nada do humano me é estranho”, frase do latino Terêncio que Marx também usava.
 


 
       
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