Eric Nepomuceno
Jornalista e escritor. Foi correspondente pelo Jornal da Tarde na Argentina e pela Veja na Espanha e México. Trabalhou na Rede Globo como editor e foi cronista do Caderno B, do Jornal do Brasil. Seus livros de contos e de não-ficção ganharam vários prêmios, inclusive o Jabuti pela tradução de autores de língua espanhola. Escreveu roteiros em co-produção com a TV Espanhola e produtoras da Holanda e Inglaterra; autor do texto final do documentário: Vinícius, de Miguel Faria Jr. Atualmente, escreve artigos e reportagens no Brasil, Espanha, México e Uruguai e em jornais como: El País, de Madrid, e Página 12, de Buenos Aires. Lançado em 2007 o livro O Massacre sobre a tragédia de Eldorado dos Carajás lhe rendeu o segundo lugar na categoria livro reportagem no Jabuti 2008.

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Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Eric Nepomuceno citados no programa:
Livro essencial para entender GGM
É difícil determinar um. Eu diria, no caso de García Márquez, que são três: Ninguém escreve ao Coronel, O amor nos Tempos do Cólera (Há uma tradução excepcional de Antonio callado) e Memória de Minhas Putas Tristes. E, claro, Cem Anos de Solidão; um divisor de águas: Tudo o que ele escreveu antes conduz a esse livro, e é desse livro que parte tudo que ele escreveu depois.

Escritores que herdaram o estilo garciamarquiano
Estilo como o dele não se herda, se copia e o resultado é um desastre, sem exceção. Prefiro não citar nomes.

O nosso programa procura incentivar à leitura. Para quem está começando a descobrir escritores latino-americanos, quais livros você indica?
Contos de Amor, de Loucura e de Morte, de Horacio Quiroga; Ninguém escreve ao Coronel, de Gabriel García Márquez; O Aleph, de Jorge Luis Borges; A Vida Breve, de Juan Carlos Onetti; Pedro Páramo, de Juan Rulfo; Bestiario, de Julio Cortázar; O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano; O Carteiro e o Poeta, de Antonio Skármeta; O Lobo, O Bosque e o Homem Novo e Morango e Chocolate de Senel Paz; A Morte de Artemio Cruz, de Carlos Fuentes. São estilos diferentes, há contos e romances. Acho uma lista básica interessante, mas é claro que pode haver dez outras de igual importância: é uma literatura vasta, rica e formidável.

Uma saga à altura de Cem Anos de Solidão
Há parentes ilustres, que vão dos Irmãos Karamazov, de Dostoievski a Moby Dick, de Herman Melville, passando sempre por D. Quixote, de Cervantes (há uma nova e importante tradução, feita por Carlos Nougué e José Luis Sánchez).

O que você tem lido?
Na verdade, ando tão mergulhado na revisão da nova tradução que fiz para Cem Anos de Solidão, que resta pouquíssimo tempo para leituras. Ando lendo livros de não-ficção, reportagens sobre a política argentina dos tempos da ditadura militar. Li um romance interessante, As Viúvas das Quintas-feiras, da argentina Cláudia Piñeiro e os contos de Nadar de Noche do também argentino Juan Forn. Sempre que estou em período de tradução, leio basicamente livros em espanhol, para não sair daquele universo.

Sua próxima leitura
Na verdade, serão minhas duas próximas traduções: o livro novo de Eduardo Galeano: Os Espelhos, e uma ampla coletânea de textos, ensaios, poemas, do imenso cineasta argentino Fernando Birri, mestre de mestres. Mas não deixarei escapar o livro novo dessa dama imensurável chamada Lygia Fagundes Telles. Tenho especial devoção por ela e pelo o que ela escreve.

Livro de cabeceira
Varia muito. Aliás, não costumo ter livros de cabeceira, não consigo ler na cama... Em todo caso, tenho, claro, livros permanentes, de releitura constante. Os contos de Hemingway, Tchecov, Carver, por exemplo. Os poemas de Juan Gelman, Jaime Sabines, João Cabral e Walt Whitman, nunca perco de vista os contos de Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, enfim, varia ao redor dos mesmos eixos.

Romance do coração
Meu coração é uma estante... Cabem vários.

Autores nacionais da nova geração
Essa é uma falha que tratarei de sanar assim que for possível. Ao longo dos últimos seis ou sete anos andei envolvido com tantos projetos exaustivos que pouco ou nada acompanhei das novas gerações. Mas gostei do que li de Cíntia Moscovich e Antonio Prata.

Livro que mudou sua forma de encarar o mundo
Foram muitos, de Monteiro Lobato e Mark Twain na infância e na primeira adolescência, a Scott Fitzgerald e Hemingway e Dostoiévski e Tchecov na juventude, enfim, acho que os grandes livros mudam a nossa forma de encarar a vida e o mundo. E não só os livros de ficção, os contos, romances e poemas: também ensaios e livros de história foram e são fundamentais. A lista seria muito longa.

Seus poetas e escritores indispensáveis
No Brasil: Machado de Assis, Graciliano Ramos, Drummond Lygia Fagundes Telles, João Cabral, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Rubem Fonseca, Jorge Amado, Dalton Trevisan. A lista, por sorte, vai longe. Veja que nem cheguei perto da minha geração: Ubaldo, Sérgio Sant\'anna. Fora do Brasil, então, iria mais longe ainda: os italianos do pós-guerra, Pratolini, Pavese, Vittorini, os espanhóis como Miguel Delibes, portugueses como José Cardoso Pires, José Saramago ou Antonio Lobo Antunes. Enfim, sou meio ruim para essas listas, sempre acabo esquecendo gente importante.

Obra que você gostaria de traduzir
Alguns livros de Héctor Tizón, um argentino magistral que ainda não chegou ao Brasil, ou do nicaragüense Sérgio Ramírez, o peruano Julio Ribeyro e o espanhol Miguel Delibes.

Nota de rodapé
Amor que serena, termina? (de um poema de Juan Gelman); ou, principalmente, uma frase-guia de Darcy Ribeiro: Na América Latina, só temos duas alternativas: ser resignados ou indignados; e eu não vou me resignar nunca.
 


 
       
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