Denise Milan
Artista Multimídia e escultora; trabalha a arte nos mais diversos suportes. Tem trabalhos espalhados pelo Brasil e exterior, criou onze esculturas públicas, a maioria para a cidade de São Paulo. Mas fez uma grande intervenção em 2007 em Taipei com a obra: Os Rios Amazonas e Danshui, águas que alimentam a vida. Ela sempre fez esculturas de grandes proporções usando como inspiração a metáfora dos cristais. Denise mergulhou de vez na natureza e realizou junto com o SESC o DVD: Ópera das Pedras.

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Confira a primeira parte da entrevista.
 
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Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Denise Milan citados no programa:
Obras indispensáveis para quem quer conhecer um pouco mais o mundo das artes e escultura. Você pode nos ensinar o caminho das pedras? Rs...
Étant Donné de Marcel Duchamp, onde ele nos joga perante uma experiência das origens e da diferença sexual e de como o que o espaço interno e o espaço externo são interpretações subjetivas dependendo do ponto de vista. Os Caprichos do Goya, onde ele faz uma reflexão profunda sobre a condição humana. As fiandeiras de Velásquez pela interpolação de tempos, o tempo real e o tempo mítico. O Circo de Alexander Calder, onde o universo lúdico irradia das esculturas caricatas de um circo.

Livro de Cabeceira
Bhagavad-Gita.

Poetas indispensáveis
Mallarmé. Fernando Pessoa. Ezra Pound. Shakespeare. Rilke. Haroldo de Campos, com quem tive a oportunidade de fazer um livro cujo título era um poema meu que se chama: Cadumbra.

Um clássico que conversa com sua obra
The Marriage of Heaven and Hell de William Blake.

O que o seu melhor amigo está lendo?
O Macaco Peregrino de Wu Ch\'êng-ên.

Obras que valem a pena serem relidas
As Mil e Uma Noites; D. Quixote e Nasrudin.

Poesia favorita de sua autoria

Améfrica

A pedra partiu,
a Terra se abriu.
E do seu interior
jorrou um caldo cósmico,
cozido com as entranhas do universo.
Rugas aquecidas,
de origens esquecidas,
se ergueram.
Jogaram para um dos cantos
a parte da pedra, que hoje se diz América.
Para o outro, a que se diz África.
O fundo dos oceanos
ciscou a superfície.
No Sul, estrelas de silício
ficaram suspensas
nos subterrâneos
da noite basáltica,
a orientar os desnorteios
da humanidade vindoura.
No Norte, os picos
de enormes montanhas submersas
despontaram como falos e seios.
Findo o vulcanismo sideral,
o erotismo refreou-se.
De Leste a Oeste,
as pedras transmitiram
os sentidos das profundezas,
escondidos pelas camadas civilizatórias.
Mandala de memórias da Terra,
arcaicas e futuras,
a percorrer e ser percorrida pelo
espaço infinito.

E se...
as águas juntassem as terras.
Primeiro,
África e Américas,
se encontrassem no espaço.
Depois,
todas as nações
se aproximassem
com consciência
de serem
uma única,
enorme pedra azul.
A Terra.

Uma descoberta
Através da contemplação do processo de transformação que há no quartzo e da comparação com a evolução humana, que eu chamo de Filosofia Quartza.

Nota de Rodapé
Abre-te Césamo,... E a pedra se abriu. Guimarães Rosa.
 
Mais sobre Denise Milan na internet:
www2.uol.com.br/denisemilan


 
       
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