Contardo Calligaris
Psicanalista, psicoterapeuta e ensaísta. Formou-se na Suíça e na França. Italiano, radicou-se no Brasil nos últimos vinte anos, dez dos quais viveu entre Nova York e São Paulo. Escreveu vários livros, entre eles: Adolescência, Terra de Ninguém, Cartas a um jovem terapeuta e o mais recente: O Conto do Amor.

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Veja no JOGO RÁPIDO os livros marcantes para Contardo Calligaris citados no programa:
Qual a importância dos clássicos? (Uma vez ouvi você fazer um comentário numa mesa que gerou polêmica: se não fosse possível ler os originais dos clássicos, que se lessem adaptações ou mesmo resumos, para pelo menos serem localizados na história).

É verdade. Claro que importa como e com quais palavras uma história é contada. A boa literatura nasce no encontro perfeito de forma e significação. Mas acredito mesmo na virtude das tramas narrativas. Como disse, são nosso repertório de vida.

Clássicos indispensáveis
Iliada; Odisséia; Divina Comédia; Decamerão; Robinson Crusoe, de Defoe; as comédias de Molière; as comédias de Shakespeare (sobretudo o Sonho de Uma Noite de Verão) e algumas tragédias (Hamlet e Macbeth); 120 Jornadas de Sodoma, de Sade; Tristram Shandy, de Sterne; Tom Jones, de Fielding; A Comédia Humana, de Balzac; os Contos, de Maupassant; os Contos, de Edgar Poe; O Coração das Trevas, de Conrad; Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski; USA, de John dos Passos; As Vinhas da Ira, de Steinbeck; Enquanto Agonizo, de Faulkner; 49 Contos, de Hemingway; Pé na Estrada, de Kerouac; O Almoço Nu, de Burroughs e por aí vai.

Livro que você está lendo agora
Órfãos do Eldorado de Milton Hatoum.

Livro de cabeceira
Revistas. Na cabeceira, de fato, sempre tenho revistas, New Yorker e Piauí, mas se tivesse um livro de cabeceira fixo seria: Os Ensaios de Montaigne.

Escritores prediletos
Conrad, T.S. Eliot, Edgar Lee Masters, Hemingway e Richard Russo.

Obra que você leu várias vezes
O Coração das Trevas de Conrad, muitas vezes, mas todas na adolescência.

Livro que você não leu e não vai ler
Nenhum. O pior livro que já li se chamava Teorias do Século e Cristianismo, li por obrigação numa aula de religião. Era uma polêmica estúpida contra Marx e Freud. Foi muito útil: graças a ele, tornei-me primeiro marxista e mais tarde psicanalista...

Autores que conversam com nossa alma
Montaigne.

Livros para começar a entender a Psicanálise
Fadas no Divã, de Mario e Diana Corso, ou os livros de Marcel Rufo (Me Larga! , por exemplo) e, claro, Freud, As conferências introdutórias à psicanálise, por exemplo.

Escritores ou obras que conseguem descrever uma terapia de forma séria
Os casos clínicos de Freud. Mas uma ficção, como Quando Nietzsche Chorou, de Irvin Yalom, é um bom começo.

Biblioteca essencial para entender o ser humano
Bíblia; Confissões, de Santo Agostinho; Consolação da Filosofia, de Boécio; Pensamentos, de Marco Aurélio; a obra de Sade; algum escrito histórico de Marx (por exemplo, o último capítulo do primeiro volume do Capital); de Nietzsche, A Genealogia da Moral; de Kierkegaard, O Tratado do Desespero ou Aut Aut; Foucault, muito Foucault; de Louis Dumont, Os Ensaios sobre o Individualismo.
 


 
       
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